A Reforma Tributária deixou de ser um tema “para depois” e passou a exigir ação imediata das empresas. Com a aprovação da LC 214/2025 e, mais recentemente, com a publicação dos regulamentos da CBS e do IBS em abril de 2026, o novo modelo tributário ganhou contornos mais operacionais e concretos.
Na prática, isso significa que o empresário já não pode olhar para a Reforma Tributária apenas como uma mudança jurídica ou fiscal. O novo sistema impacta diretamente a forma como a empresa compra, vende, forma preço, apura margem de lucro e protege o fluxo de caixa.
Reforma Tributária: o impacto vai além da troca de tributos
Um dos maiores erros neste momento é imaginar que a discussão está restrita à substituição de impostos. Não está.
A nova lógica tributária traz:
- não cumulatividade mais ampla;
- nova dinâmica de créditos tributários;
- maior relevância da documentação fiscal;
- impactos da tributação no destino;
- mudanças na leitura real do custo operacional.
Em outras palavras, o preço de venda que funcionava no modelo anterior pode deixar de sustentar a margem da empresa no novo ambiente tributário.
Como a Reforma Tributária afeta o preço de venda e a margem da empresa?
Os impactos da Reforma Tributária atingem diretamente empresas de:
- serviços;
- comércio;
- indústria;
- operações B2B;
- cadeias com aproveitamento de crédito tributário.
Isso acontece porque o novo modelo altera a relação entre custo, crédito fiscal, precificação e rentabilidade.
Empresas que antes definiam preços apenas com base em custos tradicionais agora precisarão considerar:
- capacidade de aproveitamento de créditos;
- impacto tributário por operação;
- perfil do cliente;
- prazo financeiro;
- reflexos no fluxo de caixa;
- margem real por produto, serviço ou contrato.
Revisar preços deixou de ser apenas uma decisão comercial
Com a Reforma Tributária, revisar preços passou a ser uma decisão estratégica.
O empresário precisa reavaliar se a precificação atual continua adequada diante:
- do novo custo tributário;
- da possibilidade de repasse ao mercado;
- da competitividade do setor;
- da margem efetiva da operação;
- dos impactos financeiros no caixa da empresa.
Em muitos casos, a empresa não necessariamente venderá “mais caro”, mas precisará vender com uma precificação mais inteligente e sustentável.
O risco de não recalcular os impactos da Reforma Tributária
Empresas que não revisarem seus números podem continuar faturando sem perceber:
- perda gradual de margem;
- aumento da pressão no caixa;
- redução da competitividade;
- distorções na rentabilidade;
- precificação inadequada.
Por isso, o momento é de diagnóstico tributário, simulação de cenários e preparação estratégica.
Empresas que saírem na frente terão vantagem competitiva
As empresas mais preparadas serão aquelas que tratarem a Reforma Tributária como um tema de gestão empresarial — e não apenas de apuração fiscal.
Hoje, tornou-se essencial:
- revisar preços de venda;
- simular cenários tributários;
- analisar impactos por produto, serviço ou cliente;
- alinhar operação, financeiro e contabilidade;
- entender os efeitos da CBS e do IBS na rentabilidade.
A pergunta agora não é se a Reforma Tributária vai impactar o seu negócio.
A pergunta é: sua empresa já começou a recalcular esse impacto no preço, na margem e no caixa?
Carolina Loth Kratzer
CRC/SC 034013/O


